Pedro Ivo (Álvares de Azevedo)
Álvares de Azevedo (?–1852)
O começo
Perdoai-lhe, Senhor! ele era um bravo! / Fazia as faces descorar do escravo / Quando ao sol da batalha a fronte erguia, / E o corsel gotejante de suor / Entre sangue e cadáveres corria! / O gênio das pelejas parecia… / Perdoai-lhe, Senhor!
Onde mais vivo em peito mais valente / N′um coração mais livre o sangue ardente / Ao fervor desta America bulhava? / Era um leão sangrento que rugia:
Da guerra nos clarins se embriagava — / E vossa gente — pálida recuava — / Quando ele aparecia!
Era filho do povo — o sangue ardente / Ás faces lhe assomava incandescente, / Quando cismava do Brasil na sina… / Ontem — era o estrangeiro que zombava, / Amanhã — era a lamina assassina, / No cadafalso a vil carnificina / Que em sangue jubilava!
Era medonho o rubro pesadelo! / Mas nas frontes venaes do gênio o selo / Gravaria o anátema da historia! / Dos filhos da nação a rubra espada / No sangue impuro da facção inglória / Lavaria dos livres na vitória / A mancha profanada!
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