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Quarto Féretro - Guilherme

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia4 min de leitura3 páginas

O começo

O que importa a Vida e o que importa a Morte, obscuro velhinho que te foste, operário humilde da terra, que levantaste as torres das igrejas e os tetos das casas, que fundaste os alicerces delas sobre pedra e areia como os teus únicos Sonhos.

Deixa sinfonicamente cantar sobre ti a sacrossanta alegria branca e forte do profundo Reconhecimento que te votei na existência! Deixa correr sobre o teu virtuoso flanco de lutador, sobre as tuas mãos rudes e abençoadas, sobre os teus olhos hipocondríacos de senil desterrado de Reinos ignotos, sobre o teu coração suave de cordeiro imaculado, as grandes e maravilhosas lágrimas repurificantes que nesta hora sublimizam o meu ser de uma divinização incomparável! Velho tronco robusto de onde seivas prodigiosas de Afeição porejaram sempre! A tua alma, blindada de uma honra ingênua, antiga e clássica, parecia-se reveladoramente com a natureza — alma franca e virgem, espontânea nos seus fenômenos,…

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