Versos (Cruz e Sousa)
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
Admirai Carrara, Canova, Rafael, / Murillo, Mozart e Verdi e tereis / as sublimes, mais que sublimes, / as divinas encarnações da arte! / (Do Autor)
Bravo, prole bendita / Pois à glória infinita / O lutar vos conduz! / É assim — trabalhando / Sempre e sempre estudando / Que se alcança mais luz!
Contemplai estas flores / Estes tantos lavores / Contemplai o painel! / Repetindo orgulhosos / Estes feitos briosos / São dum belo pincel!
Eia, jovens, avante! / Ser artista é brilhante, / Trabalhar é uma lei! / Não são só os c’roados / Que merecem em brados / Ter as honras de rei!
O artista qu'é pobre / É tão rico, é tão nobre / Qual potente césar! / E a glória bem cedo / Lhe murmura o segredo / — És artista — és sem par!
Não temais os pampeiros / Sois gentis brasileiros / Deveis pois progredir! / Quem vos traça na história / Vossa augusta memória / É um deus — O Porvir!
Levantai-vos potentes / Altanados, ingentes / E fazei-vos Criseus! / Só quem pode vergar-vos / E pensar obumbrar-vos / Mais ninguém — é só Deus!
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