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Sortimento de Gorras

Luís da Gama

Poesia4 min de leitura3 páginas

O começo

Seja um sábio o fabricante, / Seja a fabrica mui rica, / Quem carapuças fabrica / Soffre um dissabor constante: / Obra pronta, voa errante, / Feita avulso, e sem medida; / Mas no voo suspendida, / Por qualquer que lhe apareça, / Lá lhe fica na cabeça, / Té as orelhas metida.

(F. X. de Novaes.)

Se grosseiro alveitar ou charlatão / Entre nós se proclama sabichão; / E, com cartas compradas na Alemanha, / Por anil nos impinge ipecacuanha;

Se mata, por honrar a Medicina, / Mas voraz do que uma ave de rapina; / E num dia, si errando na receita, / Pratica no mortal cura perfeita; / Não te espantes, ó Leitor, da novidade, / Pois que tudo no Brasil é raridade!

Se os nobres desta terra, empanturrados, / Em Guiné têm parentes enterrados; / E, cedendo à prosapia, ou duros vícios, / Esquecem os negrinhos seus patrícios; / Se mulatos de cor esbranquiçada, / Jà se julgam de origem refinada, / E, curvos à mania que os domina, / Desprezam a vovò que é preta-mina: / Não te espantes, ó Leitor, da novidade, / Pois que tudo no Brasil é raridade!

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