Livros › Álvares de Azevedo › Noite na Taverna

Capa de Noite na Taverna

Noite na Taverna

Álvares de Azevedo (?–1852)

Bêbados numa taverna contando histórias de amor, morte, crime e loucura.

Contos1 h 20 de leitura72 páginas

O começo — I

How now Horatio? You tremble and look pale / Is not this something more than phantasy? / What think you of it?

Hamlet , ato I.

I UMA NOITE DO SÉCULO

Bebamos! Nem um canto de saudade!

Morrem na embriaguez da vida as dores!

Que importão sonhos, ilusões desfeitas?

Fenecem como as flores!

José Bonifácio

— Silencio, moços! acabai com essas cantilenas horríveis! Não vedes que as mulheres dormem ebrias, macilentas como defuntos? Não sentis que o sono da embriaguez pesa negro naquelas pálpebras onde a beleza sigillou os olhares da volúpia?

— Cala-te, Johann! enquanto as mulheres dormem e Arnold — o loiro — cambaleia e adormece murmurando as canções de orgia de Tieck, que música mais bela que o alarido da saturnal? Quando as núvens correm negras no céu como um bando de corvos errantes e a lua desmaia como a luz de uma lâmpada sobre a alvura de uma beleza que dorme, que melhor noite que a passada ao reflexo das tachas?

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Álvares de Azevedo