Quanto Gratas me São as Tuas Letras
O começo
Quanto gratas me são as tuas letras, / Querida Alzira! Ao coração me falas! / As tuas expressões meigas occultam / Em si virtude tal, que apenas lidas
D′elas a alma se apossa sequiosa: / Tu és, prezada amiga, único arquivo / Aonde os meus segredos mais ocultos / Eu vou depositar: em ti encontro / O refrigério a males, que tolero, / Sem poder conhecer a sua origem.
Se bem me lembro, outr′ora de ti mesma / Ouvi iguais queixumes, não sabendo / Nem eu, nem tu, d′onde eles procediam. / Uniu-te a sorte a Alcino, e venturosa / Sempre te ouvi chamar desde esse tempo. / Cessaram os teus males, eu os sinto… / A idade é (dizes tu) a causa d′eles; / Ah! Que estranha linguagem! Não concebo / Porque falas assim; pois traz a idade / Males, nos tenros anos não provados? / Três lustres conto apenas: tu três lustros / Antes de te esposar também contavas; / Poz o consorcio a teus lamentos termo, / Limitará os meus? Ah! dize, dize / Tu, que desassocego igual soffreste, / O seu motivo, e como o apaziguaste; / Revela à tua amiga este mistério / D′onde sinto perder o meu…
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