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Uma Orquestra

Luís da Gama

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Acorde harmonia / Ao longe escutei, / E aos dulios acentos / Meus passos guiei.

Além, numa rua, / Em casa antiquada, / Diviso ao luar / De Euterpe a morada.

A’ ela me chego, / Com gesto tardio

Por entre as janelas / Os olhos enfio.

Mas eis que diviso / Um velho zangão, / Zurzindo raivoso / No seu rabecão.

Marcava o compasso / A pausa empinava, / Que, em clave de bufo , / Confuso roncava…

Mexia-se todo, / Fazendo caretas; / As ventas fungavão / — Sonantes trombetas.

Na vasta batata, / Que tem por nariz, / Formára seu ninho / Crescida perdiz.

Sobr’ella, de encaixe, / Luzindo se via / A vitrea cangalha / Que a vista auxilia.

Num lado da penca, / Emalto degráo, / Sereno cantava / Audaz Picapáo.

Da luta cansado, / Tremendo e suando, / A bola afrescava / Pitadas tomando.

As grossas c’ravelhas / Ligeiro torcia, / Na banza afinada / De novo zurzia.

— Sentada num canto, / Bochechas inchadas, / De solfa na frente, / Em notas pausadas,

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