Uma Orquestra
O começo
Acorde harmonia / Ao longe escutei, / E aos dulios acentos / Meus passos guiei.
Além, numa rua, / Em casa antiquada, / Diviso ao luar / De Euterpe a morada.
A’ ela me chego, / Com gesto tardio
Por entre as janelas / Os olhos enfio.
Mas eis que diviso / Um velho zangão, / Zurzindo raivoso / No seu rabecão.
Marcava o compasso / A pausa empinava, / Que, em clave de bufo , / Confuso roncava…
Mexia-se todo, / Fazendo caretas; / As ventas fungavão / — Sonantes trombetas.
Na vasta batata, / Que tem por nariz, / Formára seu ninho / Crescida perdiz.
Sobr’ella, de encaixe, / Luzindo se via / A vitrea cangalha / Que a vista auxilia.
Num lado da penca, / Emalto degráo, / Sereno cantava / Audaz Picapáo.
Da luta cansado, / Tremendo e suando, / A bola afrescava / Pitadas tomando.
As grossas c’ravelhas / Ligeiro torcia, / Na banza afinada / De novo zurzia.
— Sentada num canto, / Bochechas inchadas, / De solfa na frente, / Em notas pausadas,
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