Jesuítas
Castro Alves (?–1871)
O começo
Ó mes frères, je viens vous apporter mon Dieu, / Je viens vous apporter ma tête! / V. HUGO ( Chatiments )
Quando o vento da Fé soprava Europa, / Como o tufão, que impele ao ar a tropa / Das águias, que pousavam no alcantil; / Do zimbório de Roma — a ventania / O bando dos Apóst'los sacudia / Aos cerros do Brasil.
Tempos idos! Extintos luzimentos! / O pó da catequese aos quatro ventos / Revoava nos céus… / Floria após na Índia, ou na Tartária, / No Mississipi, no Peru, na Arábia / Uma palmeira — Deus!
O navio maltês, do Lácio a vela, / A lusa nau, as quinas de Castela, / Do Holandês a galé / Levava sem saber ao mundo inteiro / Os vândalos sublimes do cordeiro, / Os átilas da fé.
Onde ia aquela nau? — Ao Oriente. / A outra? — Ao polo. A outra? — Ao ocidente. / Outra? — Ao norte. Outra? — Ao sul. / E o que buscava? A foca além no polo; / O âmbar, o cravo no indiano solo / Mulheres em 'Stambul.
Ouro — na Austrália; pedras — em Misora!… / "Mentira!" respondia em voz canora / O filho de Jesus… / "Pescadores!… nós vamos no mar fundo / Pescar almas p'ra o Cristo em todo mundo, / Com um anzol — a cruz!"
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