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Ribeirada

Bocage

Poesia9 min de leitura8 páginas

O começo

argumento / Quando o preto Ribeiro entregue ao sono / Jazia, lhe aparece o deus Priapo; / E com uma das mãos por ser fanchono, / Lhe agarra na cabeça do marsapo; / Off'rece-lhe depois um belo cono, / Cono sem cavalete, gordo e guapo; / Casa o preto, e a mulher, por fim de contas, / Lhe põe na testa retorcidas pontas.

CANTO ÚNICO

Ações famosas do fodaz Ribeiro, / Preto na cara, enorme no mangalho, / Eu pretendo cantar em tom grosseiro, / Se a musa me ajudar neste trabalho: / Pasme absorto escutando o mundo inteiro / A porca descrição do horrendo malho, / Que entre as pernas alberga o negro bruto / No lascivo apetite dissoluto.

Oh! musa gallicada e fedorenta! / Tu, que às fodas de Apollo estás sujeita. / Anima a minha voz, pois hoje intenta / Cantar esse mangaz, que a tudo arreita: / Desse vaso carnal que o membro aquenta. / Onde tanta langonha se aproveita, / Um chorrilho me dá, oh musa obscena, / Que eu com rijo tezão pego na pena.

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