Livros › Castro Alves › Vozes d'África

Capa de Vozes d'África

Vozes d'África

Castro Alves (?–1871)

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? / Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes / Embuçado nos céus? / Há dois mil anos te mandei meu grito, / Que embalde desde então corre o infinito… / Onde estás, Senhor Deus?…

Qual Prometeu tu me amarraste um dia / Do deserto na rubra penedia / — Infinito: galé! … / Por abutre — me deste o sol candente, / E a terra de Suez — foi a corrente / Que me ligaste ao pé…

O cavalo estafado do Beduíno / Sob a vergasta tomba ressupino / E morre no areal. / Minha garupa sangra, a dor poreja, / Quando o chicote do simoun dardeja / O teu braço eternal.

Minhas irmãs são belas, são ditosas… / Dorme a Ásia nas sombras voluptuosas / Dos haréns do Sultão. / Ou no dorso dos brancos elefantes / Embala-se coberta de brilhantes / Nas plagas do Hindustão.

Por tenda tem os cimos do Himalaia… / Ganges amoroso beija a praia / Coberta de corais … / A brisa de Misora o céu inflama; / E ela dorme nos templos do Deus Brama, / — Pagodes colossais…

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Castro Alves