O Segredo (Castro Alves)
Castro Alves (?–1871)
O começo
Que jamais tuas mãos inocentes / Ferirão meu algoz derradeiro…
Meu filho, eu fui a vítima / Da raiva e do ciúme.
Matou-me como um tigre carniceiro,
Bem vês,
Uma branca mulher, que em si resume
Do tigre — a malvadez, / Do cascavel — o rancor!…
Deixo-te, pois…
— Um grito de vingança? / — Não, pobre criança! …
Um crime a perdoar… o que é melhor!… / "Depois. teve razão… Esta mulher
É tua e minha senhora!…
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"Lucas, silêncio! que por ela implora
Teu pai… e teu irmão! …
"Teu irmão, que é seu filho… (ó magoa e dor!) / "Teu pai — que é seu marido… e teu senhor! … / "Juras não me vingar? — ó mãe, eu juro
Por ti, pelos beijos teus! / "— Obrigada! agora… agora
Já nada mais me demora… / Deus! — recebe a pecadora! / Filho! — recebe este adeus!"
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Quando, rompendo as barras do oriente, / A estrela da manhã mais desmaiava, / E o vento da floresta ao céu levava / O canto jovial do bem-te-vi; / Na casinha de palha uma criança, / Da defunta abraçando o corpo frio, / Murmurava chorando em desvario: / — Eu não me vingo, ó mãe… juro por ti!…"
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