Livros › Castro Alves › O Segredo (Castro Alves)

Capa de O Segredo (Castro Alves)

O Segredo (Castro Alves)

Castro Alves (?–1871)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Que jamais tuas mãos inocentes / Ferirão meu algoz derradeiro…

Meu filho, eu fui a vítima / Da raiva e do ciúme.

Matou-me como um tigre carniceiro,

Bem vês,

Uma branca mulher, que em si resume

Do tigre — a malvadez, / Do cascavel — o rancor!…

Deixo-te, pois…

— Um grito de vingança? / — Não, pobre criança! …

Um crime a perdoar… o que é melhor!… / "Depois. teve razão… Esta mulher

É tua e minha senhora!…

..........................................

"Lucas, silêncio! que por ela implora

Teu pai… e teu irmão! …

"Teu irmão, que é seu filho… (ó magoa e dor!) / "Teu pai — que é seu marido… e teu senhor! … / "Juras não me vingar? — ó mãe, eu juro

Por ti, pelos beijos teus! / "— Obrigada! agora… agora

Já nada mais me demora… / Deus! — recebe a pecadora! / Filho! — recebe este adeus!"

______________

Quando, rompendo as barras do oriente, / A estrela da manhã mais desmaiava, / E o vento da floresta ao céu levava / O canto jovial do bem-te-vi; / Na casinha de palha uma criança, / Da defunta abraçando o corpo frio, / Murmurava chorando em desvario: / — Eu não me vingo, ó mãe… juro por ti!…"

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Castro Alves