O Povo ao Poder
Castro Alves (?–1871)
O começo
Quando nas praças s'eleva Do Povo a sublime voz… Um raio ilumina a treva O Cristo assombra o algoz… Que o gigante da calçada De pé sobre a barrica Desgrenhado, enorme, nu Em Roma é Catão ou Mário, É Jesus sobre o Cálvario, É Garibaldi ou Kosshut. A praça! A praça é do povo Como o céu é do condor É o antro onde a liberdade Cria águias em seu calor! Senhor!… pois quereis a praça? Desgraçada a populaça Só tem a rua seu… Ninguém vos rouba os castelos Tendes palácios tão belos… Deixai a terra ao Anteu. Na tortura, na fogueira… Nas tocas da inquisição Chiava o ferro na carne Porém gritava a aflição. Pois bem…nest'hora poluta Nós bebemos a cicuta Sufocados no estertor; Deixai-nos soltar um grito…
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