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Quem Bate à Porta?

Luís da Gama

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo

O bom Democrito ria / Do que a nós nos causa dor; / Elle mui bem o entendia: / Vamos nós também, Senhor, / Fazer o que ele fazia. / (N. Tolentino)

Quem bate à porta? / Não tenho pressa; / Diga primeiro / Que lei professa?

—Eu fui menino do choro, / E me chamo Thomazinho; / Do Tesouro fui continuo, / Jogo à noute o pacauzinho

Na antiga fechadura andou três vezes / Mechendo na lingueta a velha chave; / A porta escancarou-se e teve ingresso / Nariz de talha-mar comprido e grave.

Cortando o leve espaço a penca ingente / Metade do salão já tinha entrado; / Porém de Thomazinho o corpo inoto / Nas quinas dos umbrais era esperado.

Do curvado esporão a ponta esguia / Já da mesa apoiou-se sobre o raz, / E no vasto salão notaram todos / O nariz carregando o seu Thomaz.

Na extrema da maromba narigada / Qual veloce arlequim suspenso andava, / Com pernas de vareta e pés remantes / O nosso grande herói, que assim falava:

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