Quem Bate à Porta?
O começo
O bom Democrito ria / Do que a nós nos causa dor; / Elle mui bem o entendia: / Vamos nós também, Senhor, / Fazer o que ele fazia. / (N. Tolentino)
Quem bate à porta? / Não tenho pressa; / Diga primeiro / Que lei professa?
—Eu fui menino do choro, / E me chamo Thomazinho; / Do Tesouro fui continuo, / Jogo à noute o pacauzinho
Na antiga fechadura andou três vezes / Mechendo na lingueta a velha chave; / A porta escancarou-se e teve ingresso / Nariz de talha-mar comprido e grave.
Cortando o leve espaço a penca ingente / Metade do salão já tinha entrado; / Porém de Thomazinho o corpo inoto / Nas quinas dos umbrais era esperado.
Do curvado esporão a ponta esguia / Já da mesa apoiou-se sobre o raz, / E no vasto salão notaram todos / O nariz carregando o seu Thomaz.
Na extrema da maromba narigada / Qual veloce arlequim suspenso andava, / Com pernas de vareta e pés remantes / O nosso grande herói, que assim falava:
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