O Hóspede (Castro Alves)
Castro Alves (?–1871)
O começo
Choro por ver que os dias passam breves / E te esqueces de mim quando tu fores / Como as brisas que passam doudas, leves, / E não tornam atrás a ver as flores. / TEÓFILO BRAGA
Onde vais estrangeiro! Por que deixas / O solitário albergue do deserto? / O que buscas além dos horizontes? / Por que transpor o píncaro dos montes, / Quando podes achar o amor tão perto?…
"Pálido moço! Um dia tu chegaste / De outros climas, de terras bem distantes… / Era noite!… A tormenta além rugia… / Nos abetos da serra a ventania / Tinha gemidos longos, delirantes.
"Uma buzina restrugiu no vale / Junto aos barrancos onde geme o rio… / De teu cavalo o galopar soava, / E teu cão ululando replicava / Aos surdos roncos do trovão bravio. / "Entraste! A loura chama do brasido
Lambia um velho cedro crepitante, / Eras tão triste ao lume da fogueira… / Que eu derramei a lágrima primeira / Quando enxuguei teu manto gotejante! / "Onde vais, estrangeiro? Por que deixas / Esta infeliz, misérrima cabana?
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