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Tarde de Outono

Álvares de Azevedo (?–1852)

Poesia3 min de leitura2 páginas

O começo

Un souvenir heureux est peut-être sur terre / Plus vrai que le bonheur. / ALFRED DE MUSSET

O POETA

Ó musa, por que vieste / E contigo me trouxeste / A vagar na solidão? / Tu não sabes que a lembrança / De meus anos de esperança / Aqui fala ao coração?

A SAUDADE

De um puro amor a lânguida saudade

É doce como a lágrima perdida, / Que banha no cismar um rosto virgem: / Volta o rosto ao passado e chora a vida.

O POETA

Não sabes o quanto dói / Uma lembrança que rói / A fibra que adormeceu?… / Foi neste vale que amei, / Que a primavera sonhei, / Aqui minh'alma viveu.

A SAUDADE

Pálidos sonhos do passado morto / É doce reviver mesmo chorando: / A alma refaz-se pura. Um vento aéreo / Parece que do amor nos vai roubando.

O POETA

Eu vejo ainda a janela / Onde, à tarde, junto dela / Eu lia versos de amor… / Como eu vivia denleio / No bater daquele seio, / Naquele aroma de flor!

Creio vê-la inda formosa, / Nos cabelos uma rosa, / De leve a janela abrir… / Tão bela, meu Deus, tão bela! / Por que amei tanto, donzela, / Se devias me trair?

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