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Os Escravos

Castro Alves (?–1871)

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo — Confidência

Maldição sobre vós, doutores da lei! Maldição sobre vós, hipócritas! Assemelhais-vos aos sepulcros brancos por fora; o exterior parece formoso, mas o interior está cheio de ossos e podridão.

EVANGELHO DE SÃO MATEUS, cap. XXII.

Quando, Maria, vês de minha fronte / Negra ideia voando no horizonte, / as asas desdobrar, / Triste segues então meu pensamento, / Como fita o barqueiro de Sorrento / As nuvens ao luar.

E tu me dizes, pálida inocente, / Derramando uma lágrima tremente, / Como orvalho de dor: / "Por que sofres? A selva tem odores, / "0 céu tem astros, os vergéis têm flores, / "Nossas almas o amor".

Ai! tu vês nos teus sonhos de criança / A ave de amor que o ramo da esperança / Traz no bico a voar; / E eu vejo um negro abutre que esvoaça, / Que co'as garras a púrpura espedaça / Do manto popular.

Tu vês na onda a flor azul dos campos, / Donde os astros, errantes pirilampos, / Se elevam para os céus; / E eu vejo a noite borbulhar das vagas / E a consciência é quem me aponta as plagas / Voltada para Deus.

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