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Veio ao Espírito Santo

Gregório de Matos (1636–1696)

Religião e mito5 min de leitura4 páginas

O começo

1Veio ao Espírito Santo / da Ilha da Madeira Alz. / um Escudeiro Gonçalves / mais pobretão, que outro tanto: / e topando a cada canto / as Tapuias do lugar / havendo uma de tomar / para a bainha da espada, / tomou Vitória agradada, / que então lhe soube agradar.

2A tal era uma Tapuia / grossa como uma jibóia, / que roncava de tipóia, / e manducava de cuia: / tocando ela a Aleluia, / tirava ele a culumbrina / com tal estrago, e ruína, / que chegando a conjuncão / lhe encaixou a opilação / por entre as vias da urina.

3Pariu a seu tempo um cuco, / um monstro (digo) inumano, / que no bico era tucano / e no sangue mamaluco: / mas não tendo bazaruco, / com que faça o batizado / lhe assistiu sem ser rogado / um troço de fidalguia / pedestre cavalaria / toda de beiço furado.

4O Cura, que não curou / de buscar no Calendário / nome de Santo ordinário, / por Antônio o batizou: / tanto o colonim mamou, / e tais forças tomou, que / antes de se pôr de pé, / e antes de estar já de vez, / não falava o português, / mas dizia o seu cobé.

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