Era a Dominga Primeira
Gregório de Matos (1636–1696)
O começo
Era a Dominga primeira / desta quaresma presente, / já eu estava na praia, / seriam seis para as sete. / Estava o dia formoso / por ser hora, em que se veste / a esfera de azul, e ouro / com seus renglaves de neve. / A aurora teve bom parto, / pois botou em tempo breve / um menino como um sol / para alegria das gentes. / Gritei eu: ah Sor Gregório, / ele desperto gritou, / aqui estou, e Sor Silvestre. / Só falta o Pissarro moço: / já foi chamá-lo o moleque, / e em se juntando conosco / estamos prestes, e lestes. / Toda a noite não dorrni / com pensamento no beque, / que há de levar-nos à ilha, / onde façamos um frete. / Não tem, que me despertar, / que eu escuso, me despertem, / porque para…
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