Daqui Desta Praia Grande
Gregório de Matos (1636–1696)
O começo
Daqui desta Praia grande, / Onde à cidade fugindo, / conventual das areias / entre os mariscos habito: / A vós, meu Conde do Prado, / a vós, meu Príncipe invicto, / Ilustríssimo Mecenas / de um Poeta tão indigno. / Enfermo de vossa ausência / quero curar por escrito / sentimentos, e saudades, / lágrimas, penas, suspiros. / Quero curar-me convosco, / porque é discreto aforismo, / que a causa das saudades / se empenhe para os alívios. / Ausentei-me da Cidade, / porque esse Povo maldito / me pôs em guerra com todos, / e aqui vivo em paz comigo. / Aqui os dias me não passam, / porque o tempo fugitivo, / por ver minha solidão, / pára em meio do caminho. / Graças a Deus, que não vejo / neste tão…
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