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De Flores, e Pedras Finas

Gregório de Matos (1636–1696)

História2 min de leitura2 páginas

O começo

Mote / De flores, e pedras finas / floresce, e enriquece o Estado / floresce sim pelo Prado, / e enriquece pelas Minas: / As Aves, que peregrinas / aos montes se retiraram, / nesta manhã já cantaram / com tão doce melodia, / que a noite se tornou dia, / porque as penas se acabaram.

1Já da Primavera entrou / a alegre serenidade, / com que toda a tempestade / do triste inverno acabou: / já Saturno declinou / nas operações malignas, / com influências benignas / Júpiter predominante / nos promete ano abundante / De flores, e pedras finas.

2Se destes aspectos tais / bem se calcula a figura, / teremos grande fartura, / não há de haver fome mais: / mostras temos, e sinais / de um tempo muito abastado: / porque bem considerado / dele tem o próprio efeito; / já vemos, que a seu respeito / Floresce, e enriquece o Estado.

3Para ser enriquecido / este Estado, e florescente, / temos a causa patente / no Planeta referido: / nem se equivoca o sentido / no efeito aqui declarado: / porque sendo bem notado / o estado, como parece, / se pelo mais não floresce, / Floresce sim pelo Prado.

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