Agora que sobre a Cama
Gregório de Matos (1636–1696)
O começo
Agora que sobre a cama / Antonica me inquieta, / muito rnais estando ausente, / que se na cama estivera: / Agora que o meu cuidado / dentro da alma me desvela, / e o verdugo da memória / em saudades me atormenta: / Agora que o brando leito, / qual duro potro me espera, / porque o cordel da lembrança / execute as leis da ausência: / Agora que a muda noite / no silêncio, que professa, / como quem soube os meus gostos, / mos representa na ideia: / Entre o passado e presente / não distingue a paciência, / se é mais ativa a fortuna, / nos logros ou se nas perdas: / Quero queixar-me, Antonica, / de vós, da vossa beleza, / rigores, desatenções, / esquivanças, e inclemências. / Quero queixar-me de…
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.