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Clóris, nas Festas Passadas

Gregório de Matos (1636–1696)

História5 min de leitura4 páginas

O começo

1Clóris, nas festas passadas / que às virgens são prometidas / houve quadrilhas corridas / parentas de envergonhadas: / porém estas realçadas / vi neste ano derradeiro: / pois na esfera do Terreiro / aparecia um Brandão, / que correndo exalação, / acabava cavaleiro.

2Com estas aparições / de cometas tão luzidos, / nos mirões espavoridos / eram tudo admirações: / em máximas conjunções / de ouro, de prata, e de cores, / notei que os Festejadores / faziam com graças sumas / no ar um jardim de plumas, / e na terra um mar de flores.

3Sua Excelência assistia, / o Conde, e toda a Nobreza, / e os padres por natureza / lhes faziam companhia: / estava sereno o dia, / a esfera toda anilada, / a água do mar estanhada, / brando o vento e lisonjeiro, / e contudo no Terreiro / houve muita carneirada.

4Enfim a festa passada / tão cheia de cavaleiros, / se a fizeram dois Barbeiros, / não seria mais sangrada: / ali vi dar cutilada, / que todo o vento dissipa, / do bruto, que a participa, / e eu disse, pasmado e absorto, / que a catana era do Porto, / por rilhar sempre na tripa.

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