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Vá de Retrato

Gregório de Matos (1636–1696)

História2 min de leitura2 páginas

O começo

Vá de retrato / por consoantes, / que e eu sou Timantes / de um nariz de tucano / pés de Pato. / Pelo cabelo / começo a obra, / que o tempo sobra / para pintar a giba / do camelo. / Causa-me engulho / o pelo untado, / que de molhado / parece, que sai sempre / de mergulho. / Não pinto as faltas / dos olhos baios, / que versos raios / nunca foram, senão / a cousas altas. / Mas a fachada / da sobrancelha / se me assemelha / a uma negra vassoura / esparramada. / Nariz de embono / com tal sacada, / que entra na escada / duas horas primeiro / que seu dono. / Nariz, que fala / longe do rosto, / pois na Sé posto / na Praça manda pôr / a guarda em ala. / Membro de olfatos, / mas tão quadrado, / que…

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