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Um Vendelhão Baixo, e Vil

Gregório de Matos (1636–1696)

História2 min de leitura2 páginas

O começo

1Um vendelhão baixo, e vil / de cornos pôs uma tenda, / e confiado, em que os venda, / corre por todo o Brasil: / para mim de tantos mil / lhe mandei, que me guardasse, / se verdade não falasse / em sobrosso, e com sojorno: / Um corno.

2Para o Alcaide ladrão / com despejo, e com temor, / que na mão leva o Doutor, / na barriga a Relação: / indo à casa de um Sansão / entra audaz, e confiado, / e faz penhora no estado / da mulher, e seu adornos: / dois cornos.

3Para o escrivão falsário, / que sem chegar-lhe à pousada, / dando a parte por citada, / dá fé, e cobra o salário: / e sendo o feito ordinário, / como corre à revelia, / sai a sentença num dia / mais amarga que piornos: / três cornos.

4Para o Julgador Orate / ignorante, e fanfarrão, / que sendo Conde de Unhão, / já quer ser Marquês de Unhate: / e por qualquer dou-te, ou dá-te / resolve do invés um feito / e assola a torto, e direito / a cidade, e seus contornos: / quatro cornos.

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