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Responso

Cesário Verde (1855–1886)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

I Num castelo deserto e solitário, / Toda de preto, às horas silenciosas, / Envolve-se nas pregas dum sudário / E chora como as grandes criminosas.

Pudesse eu ser o lenço de Bruxelas / Em que ela esconde as lágrimas singelas.

II É loura como as doces escocesas, / Duma beleza ideal, quase indecisa; / Circunda-se de luto e de tristezas / E excede a melancólica Artemisa.

Fosse eu os seus vestidos afogados / E havia de escutar-lhe os seu pecados.

III Alta noite, os planetas argentados / Deslizam um olhar macio e vago / Nos seus olhos de pranto marejados / E nas águas mansíssimas do lago.

Pudesse eu ser a Lua, a Lua terna, / E faria que a noite fosse eterna.

IV E os abutres e os corvos fazem giros / De roda das ameias e dos pegos, / E nas salas ressoam uns suspiros / Dolentes como as súplicas dos cegos.

Fosse eu aquelas aves de pilhagem / E cercara-lhe a fronte, em homenagem.

V E ela vaga nas praias rumorosas, / Triste como as rainhas destronadas, / A contemplar as gôndolas airosas, / Que passam, a giorno iluminadas.

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