Em Petiz
Cesário Verde (1855–1886)
O começo
Mais morta do que viva, a minha companheira / Nem força teve em si para soltar um grito; / E eu, nesse tempo, um destro e bravo rapazito, / Como um homenzarrão servi-lhe de barreira!
Em meio de arvoredo, azenhas e ruínas, / Pulavam para a fonte as bezerrinhas brancas; / E, tetas a abanar, as mães, de largas ancas, / Desciam mais atrás, malhadas e turinas.
Do seio do lugar - casitas com postigos - / Vem-nos o leite. Mas batizam-no primeiro. / Leva-o, de madrugada, em bilhas, o leiteiro, / Cujo pregão vos tira ao vosso sono, amigos!
Nós dávamos, os dois, um giro pelo vale: / Várzeas, povoações, pegos, silêncios vastos! / E os fartos animais, ao recolher dos pastos, / Roçavam pelo teu "costume de percale".
Já não receias tu essa vaquita preta, / Que eu seguirei, prendi por um chavelho? Juro / Que estavas a tremer, cosida com o muro, / Ombros em pé, medrosa, e fina, de luneta!
II Irmãozinhos
Pois eu, que no deserto dos caminhos, / Por ti me expunha imenso, contra as vacas; / Eu, que apartava as mansas das velhacas, / Fugia com terror dos pobrezinhos!
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