Livros › Cesário Verde › Em Petiz

Capa de Em Petiz

Em Petiz

Cesário Verde (1855–1886)

Poesia4 min de leitura3 páginas

O começo

Mais morta do que viva, a minha companheira / Nem força teve em si para soltar um grito; / E eu, nesse tempo, um destro e bravo rapazito, / Como um homenzarrão servi-lhe de barreira!

Em meio de arvoredo, azenhas e ruínas, / Pulavam para a fonte as bezerrinhas brancas; / E, tetas a abanar, as mães, de largas ancas, / Desciam mais atrás, malhadas e turinas.

Do seio do lugar - casitas com postigos - / Vem-nos o leite. Mas batizam-no primeiro. / Leva-o, de madrugada, em bilhas, o leiteiro, / Cujo pregão vos tira ao vosso sono, amigos!

Nós dávamos, os dois, um giro pelo vale: / Várzeas, povoações, pegos, silêncios vastos! / E os fartos animais, ao recolher dos pastos, / Roçavam pelo teu "costume de percale".

Já não receias tu essa vaquita preta, / Que eu seguirei, prendi por um chavelho? Juro / Que estavas a tremer, cosida com o muro, / Ombros em pé, medrosa, e fina, de luneta!

II Irmãozinhos

Pois eu, que no deserto dos caminhos, / Por ti me expunha imenso, contra as vacas; / Eu, que apartava as mansas das velhacas, / Fugia com terror dos pobrezinhos!

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Cesário Verde