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De Verão

Cesário Verde (1855–1886)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

I No campo; eu acho nele a musa que me anima: / A claridade, a robustez, a ação. / Esta manhã, saí com minha prima, / Em quem eu noto a mais sincera estima / E a mais completa e séria educação.

II Criança encantadora! Eu mal esboço o quadro / Da lírica excursão, de intimidade. / Não pinto a velha ermida com seu adro; / Sei só desenho de compasso e esquadro, / Respiro indústria, paz, salubridade.

III Andam cantando aos bois; vamos cortando as leiras; / E tu dizias: "Fumas? E as fagulhas? / Apaga-o teu cachimbo junto às eiras; / Colhe-me uns brincos rubros nas ginjeiras! / Quanto me alegra a calma das debulhas!"

IV E perguntavas sobre os últimos inventos / Agrícolas. Que aldeias tão lavadas! / Bons ares! Boa luz! Bons alimentos! / Olha: Os saloios vivos, corpulentos, / Como nos fazem grandes barretadas!

V Voltemos. Na ribeira abundam as ramagens / Dos olivais escuros. Onde irás? / Regressam os rebanhos das pastagens; / Ondeiam milhos, nuvens e miragens, / E, silencioso, eu fico para trás.

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