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Nós

Cesário Verde (1855–1886)

Poesia14 min de leitura13 páginas

O começo

A A. da S. V.

I Foi quando em dois verões, seguidamente, a Febre / E o Cólera também andaram na cidade, / Que esta população, com um terror de lebre, / Fugiu da capital como da tempestade.

Ora, meu pai, depois das nossas vidas salvas / (Até então nós só tivéramos sarampo), / Tanto nos viu crescer entre uns montões de malvas / que ele ganhou por isso um grande amor ao campo!

Se acaso o conta, ainda a fronte se lhe enruga: / O que se ouvia sempre era o dobrar dos sinos; / Mesmo no nosso prédio, os outros inquilinos / Morreram todos. Nós salvamo-nos na fuga.

Na parte mercantil, foco da epidemia, / Um pânico! Nem um navio entrava a barra, / A alfândega parou, nenhuma loja abria, / E os turbulentos cais cessaram a algazarra.

Pela manhã, em vez dos trens dos batizados, / Rodavam sem cessar as seges dos enterros. / Que triste a sucessão dos armazéns fechados! / Como um domingo inglês na city, que desterros!

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