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Finge que Defende a Honra da Cidade e Aponto os Vícios de Seus Moradores

Gregório de Matos (1636–1696)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Uma cidade tão nobre, / uma gente tão honrada / veja-se um dia louvada / desde o mais rico ao mais pobre: / cada pessoa o seu cobre, / mas se o diabo me atiça, / que indo a fazer-lhe justiça / algum saia a justiçar, / não me poderão negar / que por direito, e por Lei / esta é a justiça, que manda El-Rei

O Fidalgo de solar / se dá por envergonhado / de um tostão pedir prestado / para o ventre sustentar: / diz que antes o quer furtar / por manter a negra honra, / que passar pela desonra / de que lhe neguem talvez; / mas se o virdes nas galés / com honras de Vice-Rei, / esta é a justiça, que manda El-Rei

A Donzela embiocada / mal trajada, e mal comida, / antes quer na sua vida / ter saia, que ser honrada: / à pública amancebada / por manter a negra honrinha, / e se lho sabe a vizinha / e lho ouve a clerezia, / dão com ela na enxovia / e paga a pena da lei: / esta é a justiça, que manda El-Rei.

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