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Já que me Põem a Tormento

Gregório de Matos (1636–1696)

História20 min de leitura18 páginas

O começo

Já que me põem a tormento / murmuradores nocivos, / carregando sobre mim / suas culpas, e delitos: / Por crédito de meu nome, / e não por temer castigo / confessar quero os pecados, / que faço, e que patrocino. / E se alguém tiver a mal / descobrir este sigilo, / não me infame, que eu serei / pedra em poço, ou seixo em rio. / Sabei, céu, sabei, estrelas, / escutai, flores, e lírios, / montes, serras, peixes, aves / luz, sol, mortos, e vivos: / Que não há, nem pode haver / desde o Sul ao Norte frio / cidade com mais maldades, / nem província com mais vícios: / Do que sou eu, porque em mim / recopilados, e unidos / estão juntos, quantos têm / mundos, e reinos distintos. / Tenho Turcos, tenho…

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