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Oitavas Canto Agora por Preceito

Gregório de Matos (1636–1696)

História2 min de leitura2 páginas

O começo

1Oitavas canto agora por preceito, / Sem que na oitava possa diligente / Louvar as excelências de um sujeito, / Que pode ser em tudo o melhor Lente: / Mas como em mim não pode ser perfeito / O canto, ficará menos cadente / A música de Apolo, e de Talia, / Que não há cantar bem sem melodia.

2Se do tempo perfeito o meu compasso / A compasso cantara neste canto, / Não faltara à garganta agora o passo, / E em passos de garganta fora espanto: / Porém se em canto nunca da mão passo / Como posso afinar no canto tanto, / Que me atreva a cantar vossa ciência, / Sem que falte ao compasso na cadência.

3Canora a voz tomara, e tão suave, / Que em passos largos, e ecos repetidos / Sonora requintasse aquela clave, / Em que fossem meus ecos esparcidos: / Porém se o vosso nome o canto grave / Eleva suspendendo os mais sentidos, / Com a voz, que formar o meu alento / Chegar posso tarnbém ao Firmamento.

4Discutindo esse globo de ciências / No mapa desta esfera Americana, / Acho um todo formado de excelências / Maravilha fatal em forma humana: / De modo se une, e formam as essências / Que o natural as graças vos germana: / Mas que muito se vós no largo mundo / Sois da graça, e ciências tão fecundo.

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