Senhora Dona Bahia
Gregório de Matos (1636–1696)
O começo
Senhora Dona Bahia, / nobre, e opulenta cidade, / madrasta dos Naturais, / e dos Estrangeiros madre. / Dizei-me por vida vossa, / em que fundais o ditame / de exaltar, os que aí vêm, / e abater, os que ali nascem? / Se o fazeis pelo interesse, / de que os estranhos vos gabem, / isso os Paisanos fariam / com duplicadas vantagens. / E suposto que os louvores / em boca própria não cabem, / se tem força terá a verdade. / O certo é, Pátria minha, / que fostes terra de alarves, / e inda os ressábios vos duram / desse tempo, e dessa idade. / Haverá duzentos anos, / (nem tantos podem contar-se) / que éreis uma aldeia pobre, / e hoje sois rica cidade. / Então vos pisavam Índios, / e vos habitavam…
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