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Tornaram-se a Emborrachar

Gregório de Matos (1636–1696)

Poesia4 min de leitura3 páginas

O começo

1Tornaram-se a emborrachar / as Mulatas da contenda, / elas não tomam emenda, / pois eu não me hei de emendar: / o uso de celebrar / àquela Santa, e a esta, / com uma, e com outra festa / não é devoção inteira, / é papança, é borracheira / dar de cu, cair de testa.

2Bebeu Pelica, um almude, / e não faltou, quem notasse, / que mil saúdes tragasse; / e ficasse sem saúde: / caiu como em ataúde, / sendo mortalha as anáguas, / e eu entrei num mar de mágoas / vendo a casaca, que era / finíssima primavera, / ficar chamalote dáguas.

3Vomitou toda a casaca, / e as Mulatas desconvinham / que umas por vômito o tinham / outras o tinham por caca: / levou sobre isto matraca / entre riso, e murmurinho, / e a carinha com focinho / lhe armou de grande altivez, / mas resvelando-lhe os pés / nadou em mares de vinho.

4Angelinha aquela posta / manjuba de palafréns, / jogando fortes vaivéns / ao vomito estava posta: / com máscara de lagosta / ora arrotava, ora impava; / tomando puxos estava / até que a hora chegou, / não pariu, mas vomitou, / porque tudo então trocava.

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