Preso entre Quatro Paredes
Gregório de Matos (1636–1696)
O começo
Preso entre quatro paredes / me tem Sua Senhoria / por golotão de despachos, / por fundidor de mentiras. / Dizem, que sou um velhaco, / e mentem por vida minha, / que o velhaco era o Governo, / e eu sou a velhacaria. / Quem pensara, e quem dissera, / quem cuidara, e quem diria, / que um braço de prata velha / pouca prata, e muita liga! / Tanto mais que o Braço Forte / fosse forte, que poria / um cabo de calabouço, / e um soldado de golilha! / Porém eu de que me espanto, / se nesta terra maldita / pode uma onça de prata / mais que dez onças de alquímia. / Quem me chama de ladrão, / erra o trincho à minha vida, / fui assassino de furtos, / mandavam-me, obedecia. / Despachavam-me a furtar; /…
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