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Sonetos

Antero de Quental (1842–1891)

Poesia12 min de leitura11 páginas

O começo — HOMO

Nenhum de vós ao certo me conhece, / Astros do espaço, ramos do arvoredo, / Nenhum adivinhou o meu segredo, / Nenhum interpretou a minha prece…

Ninguém sabe quem sou… e mais, parece / Que há dez mil anos já, neste degredo, / Me vê passar o mar, vê-me o rochedo / E me contempla a aurora que alvorece…

Sou um parto da Terra monstruoso; / Do humus primitivo e tenebroso / Geração casual, sem pai nem mãe…

Misto infeliz de trevas e de brilho, / Sou talvez Satanaz;—talvez um filho / Bastardo de Jehová;—talvez ninguém!

Antero de Quental (autor) morreu em 1891; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1962.

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