As Fadas
Antero de Quental (1842–1891)
O começo
Estes versos foram escritos em Lisboa, para a coleção — Tesouro poético da infância , que o próprio autor coordenou. Foram lidos no dia imediato a João de Deus, «que deles se mostrou satisfeito», como Anthero escrevia a um amigo. «Para mim, poeta de gênero apocalyptico, foi um verdadeiro tour de force .»
As fadas… eu creio nelas! / Umas são moças e belas, / Outras, velhas de pasmar… / Umas vivem nos rochedos, / Outras, pelos arvoredos, / Outras, à beira do mar…
Algumas em fonte fria / Escondem-se, enquanto é dia, / Sáem só ao escurecer… / Outras, debaixo da terra, / Nas grutas verdes da serra, / É que se vão esconder…
O vestir… são tais riquezas, / Que rainhas, nem princesas / Nenhuma assim se vestiu! / Porque as riquezas das fadas / São sabidas, celebradas / Por toda a gente que as viu…
Quando a noite é clara e amena / E a lua vai mais serena, / Qualquer as pode espreitar, / Fazendo roda, ocupadas / Em dobar suas meadas / De ouro e de prata, ao luar.
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