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A Melhor Cartada

Manuel de Oliveira Paiva (?–1892)

Contos5 min de leitura4 páginas

O começo

Estava uma coisa insípida aquele dia. Uma hora da tarde. Muito mor­maço. Nem uma gargalhada. Triste realmente.

Os hóspedes que jejuavam alegravam-se agora no seu jantar, servin­do-se grandes pratos de peixe, hortaliças, camarões, frutos, vinhos, re­queijão e bolos; com tanto que os outros, almoçados por cerca das doze, tinham era tédio por aquela petisqueira. Na rua não havia o que fazer, e pior em casa. A leitura nem para todos era divertimento, e acabava por cansar miseravelmente a um sujeito farto.

O Pedro Antônio ardia por um joguinho, mas esperava que outro lembrasse. Sousa Pinheiro, com a cabeça elevada sobre o coxim de lã, estirava-se ao longo do sofá, a ler Folies Amoureuses. E todos estavam com a cara contrafeita de quem recebe uma visita enfadonha. Correia e José Teles ofereciam o raro espetáculo de entreter-se apuradamente ao lado de suas consortes: um casal namorando-se em cadeiras de ba­lanço, fronteiras; e o outro, aplicadíssimo em uma partida de dominó.

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