O Ar do Vento, Ave Maria
Manuel de Oliveira Paiva (?–1892)
O começo
Ia a lua sumindo-se lívida, por trás de um cabeço onde se abria o roçado. Por entre as palhas do milho, — um mar de cobraria esverdeada, com reflexos de armas brancas em mãos de combatentes revoltos, — fervilhava um sopro álgido que saía roncando de sob a mata cavernosa das cercanias. Pelo meio da roça bracejavam uns gigantes magros, pretíssimos, grandes árvores cuja fronde em tempo fora roída pela queima das coivaras. Em um dos cantos, como rico em seu sobrado, estava eu na rede muito aereamente armada nos músculos de uma peroba. Via as árvores salientes como se fossem rochedos, e o cerrado do bosque me fazia horror. Palavra que me arrependia daquela caçada. Porém, tinha uma fé…
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