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Ao Cair da Tarde

Manuel de Oliveira Paiva (?–1892)

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O começo

Paramentado com roupas de cerimônia, ele assentava, todo enver­gado em um fraque apertadinho, sem fôlego, cogitativo, metendo no bolso a pontinha do dedo enluvado, teso como um soldado espalhafatoso, fora dos seus hábitos, no fundo do carro.

Subia-lhe ao nariz o cheiro da roupa preta arquivada, e a essência do lenço que intumescia-lhe o peito esquerdo. Só tinha pena era de uma coisa: ter deixado de fumar! — porque justamente o complemento que faltava ao seu aprumo era o charuto, o fino charuto feito para ornar o queixo admirável de um rapaz que se julga feliz.

Porém, senhores, ele não se julgava feliz; ou, para falar verdade, não se julgava cousa nenhuma.

O que ele sentia era assim como a boca da noite de um primeiro amor. Não julgava nada, sentia-se dormente, aspirativo, com disposições para chorar, contanto que houvesse esperanças de rir ao depois. Ai como ardia por um risozinho! Mas a sua goela, entupida por uma laringite ini­miga do bom tom, o obrigava a uma seriedade estranha. Como seria bom soltar uma gargalhada! Como não seria satisfatório conversar!

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