Livros › Manuel de Oliveira Paiva › A Afilhada

Capa de A Afilhada

A Afilhada

Manuel de Oliveira Paiva (?–1892)

Romance5 h 50 de leitura305 páginas

O começo — I

O Desembargador Osório Pereira de Góis dava o seu dedo de con­versa na roda que todas as tardes costumavam fazer na Botica da Feira Nova. Ali falavam sobre tudo e sobre todos, jogavam gamão e fumavam o cigarro do café do jantar.

A Fortaleza não tinha aristocracia, nem classes, e não sei se hoje tem; por modos que a florescente cidade poderia comparar-se a um or­ganismo em formação, a uma semente fermentando, onde só o olho do sábio divisa o que terá de ser caule, folha, raiz.

Conquanto homem de observação, era o Dr. Osório corredio em leis feitas e contrafeitas pelos homens, trovejando contra esse nivelamento social da capital dos cearenses, que ele chamava o "Caos". Talvez ti­vesse razão, se conhecesse bem o sentido daquela palavra.

Isto havia de provir do querer-se avaliar uma população ainda não caracterizada, tomando por termo de comparação a civilização de ultra­mar, demorado produto de séculos sobre séculos.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Manuel de Oliveira Paiva