A Tacha Maldita
Manuel de Oliveira Paiva (?–1892)
O começo — I
Imerso na espessura da floresta / Eu andava nas trevas tateando… / O céu sorria além, de quando em quando; / Parecia haver lá medonha festa!
Nos úmidos pauis da selva infesta / O fogo fátuo andava serpeando… / Ramos dárvores no ar cambaleando, / Rolando pelo chão, quebrando a testa…
Tremia o corpo meu de medo e frio, / Como treme do órgão o som tristonho, / Como treme a cascata, ao sol, no rio.
Rasgou-se, enfim, dos céus o véu medonho… / O Infinito afinal se descobriu, / Mostrou-me as negras faces, tão risonho!…
E a estrada real me conduzira / — Depois que à luz do céu fugi da selva — / Para um vale sorrindo sob a relva, / Linda concha forrada com safira.
Chorava o espírito meu na solidão! / Nem a voz do oceano compassada, / Nem a reza da brisa cochichada, / Me faziam sorrir o coração.
— Quero luz, quero luz, Senhor das matas / Oh Médico Divino, as cataratas / Espedaçai dos olhos de minha alma!
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