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Os Vencidos

Antero de Quental (1842–1891)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Três cavaleiros seguem lentamente / Por uma estrada erma e pedregosa. / Geme o vento na selva rumorosa, / Cae a noite do céu, pesadamente.

Vacilam-lhes nas mãos as armas rotas, / Têm os corcéis poentos e abatidos, / Em desalinho trazem os vestidos, / Das feridas lhe cai o sangue, em gotas.

A derrota, traiçoeira e pavorosa, / As fontes lhes curvou, com mão potente. / No horizonte escuro do poente / Destaca-se uma mancha sanguinosa.

E o primeiro dos três, erguendo os braços, / Diz num soluço: «Amei e fui amado! / Levou-me uma visão, arrebatado, / Como em carro de luz, pelos espaços!

Com largo voo, penetrei na esfera / Onde vivem as almas que se adoram, / Livre, contente e bom, como os que moram / Entre os astros, na eterna primavera.

Porque irrompe no azul do puro amor / O sopro do desejo pestilente? / Ai do que um dia recebeu de frente / O seu halito rude e queimador!

A flor rubra e olorosa da paixão / Abre lânguida ao raio matutino, / Mas seu profundo cálix purpurino / Só reçuma veneno e podridão.

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