Livros › Antero de Quental › À Beira-Mar

Capa de À Beira-Mar

À Beira-Mar

Antero de Quental (1842–1891)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Oh! vem Maria! sobre a rocha erguida / Em asp'ra costa, sobranceira ao mar, / Vamos sósinhos ver as brancas ondas / Sobre os rochedos, em cachões, saltar!

Ali, bem juntos, ao cair da tarde, / De mãos trocadas a falar de amor, / Quero, ao contar-te mil segredos dalma, / Ver-te nas faces virginal pudor.

É próprio o sítio, é propicia a hora, / Incerta, dúbia entre sombra e luz; / Já descem trevas pelos fundos vales, / Inda algum brilho sobre o mar reluz:

Inda no dorso das inquietas ondas / Dourada fita tremeluz, além; / Mas, já ao longe, da campina os viços, / Envolvem sombras que dos montes vêm.

Gigante imenso de esplendor e brilho, / O sol, um instante, viu-se ali nutar; / Depois cansado, declinando rápido / A lassa fronte repousou no mar.

Semelha ao entrar-lhe pelo seio tumido, / Que de mil fogos inda foi tingir, / Medalha de ouro, que em caldeira imensa, / A pouco e pouco visse alguém fundir.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Antero de Quental