Sonetos (Antero de Quental, 1880)
Antero de Quental (1842–1891)
O começo — Á Virgem Santissima
Num sonho todo feito de incerteza, / De noturna e indizível ansiedade, / E que eu vi teu olhar de piedade / E (mais que piedade) de tristeza…
Não era o vulgar brilho da beleza, / Nem o ardor banal da mocidade… / Era outra luz, era outra suavidade, / Que até nem sei se as há na natureza…
Um místico sofrer… uma ventura / Feita só do perdão, só da ternura / E da paz da nossa hora derradeira…
Ó visão, visão triste e piedosa! / Fita-me assim calada, assim chorosa… / E deixa-me sonhar a vida inteira!
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.