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Capa de Sonetos (Antero de Quental, 1880)

Sonetos (Antero de Quental, 1880)

Antero de Quental (1842–1891)

Poesia12 min de leitura11 páginas

O começo — Á Virgem Santissima

Num sonho todo feito de incerteza, / De noturna e indizível ansiedade, / E que eu vi teu olhar de piedade / E (mais que piedade) de tristeza…

Não era o vulgar brilho da beleza, / Nem o ardor banal da mocidade… / Era outra luz, era outra suavidade, / Que até nem sei se as há na natureza…

Um místico sofrer… uma ventura / Feita só do perdão, só da ternura / E da paz da nossa hora derradeira…

Ó visão, visão triste e piedosa! / Fita-me assim calada, assim chorosa… / E deixa-me sonhar a vida inteira!

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