O Diabo
Olavo Bilac (?–1918)
O começo
Tinham metido tantas caraminholas na cabeça da pobre Luizinha, que a coitada, quando, às dez horas, apagava a luz, metida na cama, vendo-se no escuro, tinha tanto medo, que começava a bater os dentes… Pobre Luizinha! que medo, que medo ela tinha do diabo!
Um dia, não pôde mais! E, no confessionário, ajoelhada diante de padre João, abriu-lhe a alma, e contou-lhe os seus sustos, e disse-lhe o medo que tinha de ver uma bela noite o diabo em pessoa entrar no seu quarto, para a atormentar…
Padre João, acariciando o belo queixo escanhoado, refletiu um momento. Depois, olhando, com piedade a pobre pequena ajoelhada, disse gravemente:
— Minha filha! basta ver que está assim preocupada com essa ideia, para reconhecer que realmente o Diabo anda a perseguí-la… Para o tinhoso amaldiçoado assim é que começa…
— Ai, senhor padre! que há-de ser de mim?! tenho a certeza de que, se ele me aparecesse, eu nem forças teria para gritar…
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