Como a Pescada...
Olavo Bilac (?–1918)
O começo
Casados há três meses, — já o arrufo, já o ciúme, já a resigna… E Clélia quer que o marido, o Álvaro, lhe ponha já para ali toda a verdade: se foi de fato noivo de Laura, e porque é que foi expulso da casa de Laura, e porque não casou com Laura, e porque é que a família de Laura lhe tem tanta raiva…
— Mas, filhinha, sê sensata; não nos casamos? não somos felizes? não te amo como um louco? que queres mais? beijemo-nos que me importa a mim a lembrança de Laura, se é a ti que amo, se te pertenço, se sou o teu maridinho carinhoso? — suspira Álvaro, procurando com os lábios ansiosos os lábios da arrufada Clélia…
— Não, senhor! não, senhor! — diz a teimosa, repelindo-o — Não, senhor! quero saber tudo! vamos a isso! foi ou não foi noivo de Laura?
— Ai! — geme o marido — já que não há remédio… fui, queridinha, fui…
— Bem! e porque não casou com ela?
— Porque… porque o pai preferiu casá-la com o Borba, comendador Borba, sabes? aquele muito rico e muito sujo, sabes?
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