Livros › Olavo Bilac › A Tentação de Xenócrates

Capa de A Tentação de Xenócrates

A Tentação de Xenócrates

Olavo Bilac (?–1918)

Poesia5 min de leitura4 páginas

O começo

Nada turbava aquela vida austera: / Calmo, traçada a túnica severa, / Impassível, cruzando a passos lentos / As aléias de plátanos, - dizia / Das faculdades da alma e da teoria / De Platão aos discípulos atentos.

Ora o viam perder-se, concentrado, / No labirinto escuso de intricado, / Controverso e sofístico problema, / Ora os pontos obscuros explicando / Do Timeu, e seguro manejando / A lâmina bigúmea do dilema.

Muitas vezes, nas mãos pousando a fronte, / Com o vago olhar perdido no horizonte, / Em pertinaz meditação ficava. / Assim, junto às sagradas oliveiras, / Era imoto seu corpo horas inteiras, / Mas longe dele o espírito pairava.

Longe, acima do humano fervedouro, / Sobre as nuvens radiantes, / Sobre a planície das estrelas de ouro; / Na alta esfera, no páramo profundo / Onde não vão, errantes, / Bramir as vozes das paixões do mundo:

Aí, na eterna calma, / Na eterna luz dos céus silenciosos, / Voa, abrindo, sua alma / As asas invisíveis, / E interrogando os vultos majestosos / Dos deuses impassíveis…

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Olavo Bilac