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Beijo Eterno

Olavo Bilac (?–1918)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Quero um beijo sem fim, / Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo! / Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo, / Beija-me assim! / O ouvido fecha ao rumor / Do mundo, e beija-me, querida! / Vive só para mim, só para a minha vida, / Só para o meu amor!

Fora, repouse em paz / Dormida em calmo sono a calma natureza, / Ou se debata, das tormentas presa, - / Beija inda mais! / E, enquanto o brando calor / Sinto em meu peito de teu seio, / Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio, / Com o mesmo ardente amor!

De arrebol a arrebol, / Vão-se os dias sem conto! e as noites, como os dias, / Sem conto vão-se, cálidas ou frias! / Rutile o sol / Esplêndido e abrasador! / No alto as estrelas coruscantes, / Tauxiando os largos céus, brilhem como diamantes! / Brilhe aqui dentro o amor!

Suceda a treva à luz! / Vele a noite de crepe a curva do horizonte; / Em véus de opala a madrugada aponte / Nos céus azuis, / E Vênus, como uma flor, / Brilhe, a sorrir, do ocaso à porta, / Brilhe à porta do Oriente! A treva e a luz - que importa? / Só nos importa o amor!

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