A um Violinista
Olavo Bilac (?–1918)
O começo
I Quando do teu violino, as asas entreabrindo / Mansamente no espaço, iam-se as notas quérulas, / Anjos de olhos azuis, às duas mãos partindo / Os seus cofres de pérolas,
- Minhas crenças de amor, esquecidas em calma / No fundo da memória, ouvindo-as recebiam / Novo alento, e outra vez do oceano de minh'alma, / Arquipélago verde, à tona apareciam.
E eu via rutilar o meu amor perdido, / Belo, de nova luz e novo encanto cheio, / E um corpo, que supunha há muito consumido, / Agitar-se de novo e oferecer-me o seio.
Tudo ressuscitava ao teu influxo, artista! / E minh'alma revia, alucinada e louca, / Olhos, cujo fulgor me entontecia a vista, / Lábios, cujo sabor me entontecia a boca.
Oh milagre! E, feliz, ajoelhava-me, em pranto, / Como quem, por acaso, um dia, entrando as portas / De um cemitério, vai achar vivas a um canto / As suas ilusões que acreditava mortas,
E ficava a pensar… como se não partia / Essa fraca madeira ao teu toque violento, / Quando com tanta febre a paixão se estorcia / Dentro do pequenino e frágil instrumento!
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