As Estações
Olavo Bilac (?–1918)
O começo
(Coro das quatro estações:) / Cantemos, irmãs, dancemos! / Espantemos a tristeza! / E dançando, celebremos / A glória da Natureza!
(O Inverno:) / Sou a estação do frio; / O céu está sombrio, / E o sol não tem calor. / Que vento nos caminhos! / Tragos a tristeza aos ninhos, / E trago a morte à flor. / Há névoa no horizonte, / No campo e sobre o monte, / No vale e sobre o mar. / Os pássaros se encolhem, / Os velhos se recolhem / À casa a tiritar. / Porém fora a tristeza! / Em breve a Natureza / Dá Flores ao jardim: / Abramos a janela! / Outra estação mais bela / Já vem depois de mim. / Coro das quatro estações: / Cantemos, irmãs, dancemos! / Espantemos a tristeza! / E dançando, celebremos / A glória da Natureza!
A Primavera
(Coro das quatro estações:) / Cantemos! Fora a tristeza! / Saudemos a luz do dia: / Saudemos a Natureza! / Já nos voltou a alegria!
(A Primavera:) / Eu sou a Primavera! / Está limpa a atmosfera, / E o sol brilha sem véu! / Todos os passarinhos / Já saem dos seus ninhos, / Voando pelo céu. / Há risos na cascata, / Nos lagos e na mata, / Na serra e no vergel: / Andam os beija-flores / Pousando sobre as flores, / Sugando-lhes o mel. / Dou vida aos verdes ramos, / Dou voz aos gaturamos / E paz aos corações; / Cubro as paredes de hera; / Eu sou a Primavera, / A flor das estações! / Coro das quatro estações: / Cantemos! Fora a tristeza! / Saudemos a luz do dia: / Saudemos a Natureza! / Já nos voltou a alegria!
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